Um médico que não atende seus pacientes para não sujar seu jaleco branco impecável. Um professor de matemática que acerta tudo em um concurso público, menos a parte de matemática. Um desenhista que não sabe rabiscar nada sem um molde. Deixando as analogias de lado, isso vem acontecendo – e muito – com o universo dos estudantes e até mesmo entre profissionais já graduados quando o assunto é a exigência do português em seleções de estágios e empregos.
Uma reportagem do Jornal Nacional relatou o fato de que estudantes universitários acabam não conseguindo uma vaga por não dominarem o básico da língua portuguesa. Entre os alunos de jornalismo, pelo menos 70% é reprovado por não conseguir elaborar uma redação ou por cometer erros graves de ortografia. Na boa, se um estudante de jornalismo não sabe português, está fazendo o que nesse curso?
Aliás, uma ressalva: toda profissão que se preze deve ter o conhecimento básico do português, não importando o nível hierárquico. Um profissional que não conhece a própria língua do país é um profissional que será mais facilmente dominado pelos erros do mercado. Um profissional que não conhece a própria língua do país é um profissional sem diálogo. Vai conseguir um emprego como, cara pálida?
Ainda na reportagem, uma estudante do 5º período disse estar assustada com a seleção de uma vaga de estágio, pois não esperava que o português fosse o diferencial para conquistar o emprego, já que ela possuía uma "língua extra", o inglês. Querida, língua extra é finlandês, mandarim ou russo. Inglês é língua básica. Espanhol é língua básica. Uma estudante de jornalismo que reside no Brasil e sabe inglês, mas escorrega no português, está no país errado.
Como diria Marcelo D2, a culpa é de quem? A culpa é do estado por estruturar escolas tão vagabundas que não oferecem o básico da língua. A culpa é daqueles que acham o diploma de jornalismo desnecessário, mesmo em um país de analfabetos. A culpa é das universidades por não exigirem um nível maior nos vestibulares, preocupando-se apenas com número de alunos. A culpa é, principalmente, dos estudantes que não fazem questão de respeitarem nem a profissão que escolheram. Todos necessitam do português, mas se um jornalista não tem esse domínio, ele está na profissão errada.
por Cleyton Carlos Torres, jornalista e blogueiro.

Concordo plenamente, ainda mais agora com a reforma ortográfica, faltou nas universidades corrigir o português dos graduandos, oferecendo uma disciplina para aperfeiçoamento da língua.
ResponderExcluirIndependente da profissão, quem não sabe escrever e não entende o que lê pode ser considerado um analfabeto, ou semi-analfabeto e, infelizmente, muitos diplomados não entendem o que lêem, não sabem redigir uma redação, entre outras deficiências, como vícios de linguagem potencializados pelo uso das redes sociais.
Jornalista que se preze deve ler, manter um contínuo aperfeiçoamento, ou tornar-se-á obsoleto, assim como as máquinas de escrever...