sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O dia em que o jornalismo impresso morreu para mim.


Essa história começa no sábado pela manhã. Perto do meio-dia, desci até a portaria do meu prédio para pegar uma encomenda. Lá, vi minha vizinha que ainda trajava um pijama indagar ao porteiro o motivo do seu jornal não ter chegado. Voltando à minha casa, encontrei minha mãe que estava na frente do computador, lendo o portal de notícias local. E foi só quando a perguntei se tínhamos recebido o jornal que ela se tocou que não.

O mais engraçado da história é que a minha mãe tem o hábito de tomar café lendo jornal. Porém, como não viu o impresso à sua frente, ligou o notebook na mesa da cozinha e tomou seu café com leite, checando o Facebook e se atualizando das notícias pelo online.


Desde o final de semana, os gráficos de Pernambuco entraram em greve, deixando quase impossível a distribuição dos jornais em bancas e para assinantes, como nós. Os jornalistas do impresso também andam ameaçando entrar em greve em prol de condições mais dignas de trabalho e um piso salarial mais justo.

Particularmente, o que achei mais intrigante foi a falta que o jornal não fez. Ninguém deixou de saber da manifestação na USP, que a Dilma indicou a Ellen Gracie para a vaga no Supremo Tribunal Federal ou o resultado dos jogos de futebol do final de semana. A internet, o rádio e a televisão preencheram os cidadãos pernambucanos com informações e notícias, inclusive, sobre a greve que afetou a rotina de milhares de pessoas.

Por esse ângulo, percebemos que o jornal impresso, a cada dia, ocupa um lugar menos essencial no dia-a-dia da sociedade, mas de grande importância ao jornalismo apurado e detalhista.

É importante que os editores entendam que não há como competir papel com telas de LED, que não há como comparar uma foto de ontem com uma entrada ao vivo na TV, que não existe tabela de gols mais eficiente do que a publicada após cada grito do narrador no portal de esportes. Porém, é se fazendo presente na vida das pessoas por anos que o jornalismo impresso se mantém, cultivando tradições e alimentando costumes.

Infelizmente, enquanto editores insistem em construir narrativas falhas, com mais do mesmo do que saiu na edição passada ou com a apuração feita no Google, os leitores passam a não esperar nada mais do impresso. Talvez, não seja tanta surpresa para a população não encontrar o jornal jogado no tapete de casa. O jornalismo impresso traiu seus leitores se acomodando e se deixando ultrapassar e os leitores estão no seu direito de não perdoar a decepção.

Por Duda Ferraz, Estudante de jornalismo e analista de mercado em uma empresa de monitoramento de mídia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...